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Espiritualidade Destaque

Quarta, 16 Novembro 2016 19:17
Espiritualidade

Quando um Passarinho Voa...

 

 

Observe...Quando um passarinho voa, à medida que se eleva, ele entra num ar mais puro e está ao abrigo de predadores. Mais se eleva, mais fica em segurança. Assim a alma Cristã...Suba, pois, o quanto possível, para o ar puro e calmo de meu divino Ser. Ali gozará de delicioso silêncio e de grande segurança (L, Quarto Diálogo).

 

Maria Celeste não almeja a uma espiritualidade pela metade. Quando escreve a Regra para o Novo Instituto que o Senhor quer fundar, com ela e com seu amigo Afonso, ela convida suas Monjas não a se prenderem escrupulosamente a pequenas devoções ou a recitarem longas fórmulas prontas de oração, mas a se elevarem à contemplação do Deus de Jesus Cristo, Deus Pai em comunhão com o Filho, no Espírito Santo, a Santíssima Trindade. E mais: desdea primeira página, Maria Celeste evoca o projeto de Deus para o mundo, o "plano do Pai":

 

Eu tive o ardente desejo de dar ao mundo meu Espírito e de comunicá-lo a minhas criaturas dotadas de razão, para com elas e nelas viver até o fim dos tempos. No meu imenso amor, dei-lhes meu Filho único, e por ele lhes comuniquei  meu divino Espírito Consolador, para divinizá-los na vida, na justiça e na verdade, e a todos guardar em meu afeto, naquele que é o Filho do meu amor, o próprio Verbo (F-m, n. 1, Règle, but et Idée).

 

 

Eu lhes dei....comuniquei-lhes meu Espírito...para divinizá-los... O Deus de Maria Celeste é um Deus que toma a iniciativa. Ele é quem doa primeiro. Por quê? Para divinizar os seres humanos.
Este "plano do Pai" é uma idéia central em Maria Celeste. Ela segue o pensamento dos Padres da Igreja, como Irineu e Inácio de Antioquia, que repetiam: "Deus se fez homem, para que o homem pudesse tornar-se Deus". Por isso, sua espiritualidade é profundamente trinitária, ao mesmo tempo em que se mantém centrada no Cristo e seu mistério pascal. É, de fato, a partir do Cristo, Deus feito homem, morto no extremo de seu amor e ressuscitado, que o verdadeiro Deus se deixou ver. E ela volta frequentemente a esse tema em seus escritos:

 

Ò Amor, Verbo, Deus de meu coração! Sabendo que és a vida de todas as coisas que existem, como poderia eu explicar esse bem? És o ser e a vida de bondade no céu para todos os justos e todos os espíritos puríssimos do além, uma vez que é em ti que eles têm o existir, a vida e a luz da glória...

Olho o céu e contemplo as estrelas: és tu seu esplendor e sua beleza. É em ti que elas têm a vida e continuam a existir.

Olho o sol e a lua e vejo que és tu seu brilho e sua vida. Olho o mar: o bater das ondas, com seu brado sem palavras, ressoa como alegres vozes que ouço interiormente, pois que aí te manifestas, Verbo-Deus amor, como vida, sabedoria e seu ser.

Olho a terra, as plantas e as flores e as frutas...Sinto teu perfume, meu paladar degusta o sabor de doçuras eternas, porque és tu meu paladar e meu sabor, e és para mim um alimento mais doce que um favo de mel.

Todos os pássaros do céu alegram meus ouvidos com a doçura de seus suaves cantos, porque tu, Verbo de Deus, tu és como dulcíssima melodia no meio de todas as criaturas (S, pp. 254-255, jardin intèrieur, 10 janvier).

 

 

Verbo de Deus...Uma vez mais encontramos nessas linhas o eco do Evangelho de João, em que a palavra "Deus", como aliás em toda a Biblía, pode quase sempre ser completada pela palavra "Pai", pois ali representa uma pessoa divina distinta e não a natureza divina em sua generalidade: " No príncipio era o Verbo, a Palavra de Deus (o Pai), e o Verbo estava junto de Deus (o Pai), e o Verbo era Deus. Ele estava no principio junto de Deus (o Pai). Por ele tudo foi feito, e nada do que foi feito foi feito sem ele. Nele estava a vida..."(Jo 1, 1-5).

Este Filho do Pai, Maria Celeste o acolhe com alegria na hora da comunhão. É para ela o momento em que descobre que Jesus-hóstia lhe comunica o dom do Espírito Santo:

 

Nesta manhã, dia de pentecostes de 1738, pareceu-me, ó Verbo divino, que ao entrares em minha alma pela santa comunhão, teu divino Espírito ali penetrava como possantíssimo raio de luz.

Compreendi que em ti, Verbo do Pai, me era dado o Espírito da verdade. Eu o recebi em meu coração como uma seta de fogo, mas muito doce, que em mim consumia todas as minhas misérias e me fazia ver que eu era como uma criança de dois anos em teu coração. Ó meu Bem-amado, como poderia eu jamais saber explicar que tesouro inestimável, que riqueza sem limites, que bondade sem par és tu! (E, L'an 1738).

 

E nós hoje?

 

Quando oramos com as palavras do Pai nosso, será que pensamos nesse Deus Pai, que é amor? Que não é senão amor? É esse o Deus Pai que enviou seu Filho a esta terra para nos tornar possível descobrir seu amor e ver a Deus: "Quem me viu, viu o Pai"(Jo 14,9), dizia Jesus a Tomé,  incrédulo.

Será que pensamos no "plano do Pai"? Esse plano de salvação, de transformação da humanidade, sua eterna divinização de acordo com o modelo do Homem novo, o Cristo em sua glória de ressuscitado?

Quando dizemos "Pai nosso...seja feita a vossa vontade", será que pensamos em desgraças que podem advir sobre nós ou no grandioso plano do Pai sobre cada ser humano? Melhor: será que rezamos pelo triunfo de sua vontade amorosa em nós e ao nosso redor?

Por fim, quando recebemos a eucaristia, será que somos conscientes de que ela é um dom do Pai? Em seguida, será que acolhemos o dom do Filho, o Espírito Santo, que vem a nós como no dia de Pentecostes para nos inflamar no amor de Deus para com todos os homens?

 

Oremos com Maria Celeste

 

Pai eterno, meu Deus,

Verdade por essência, Santidade infinita,

mostra-me teu Filho,...

no qual estão todas as tuas complacências

e tua alegria eterna,

para que, por ele, eu te possua,

Pai santíssimo,

para que te ame com seu amor,

e ele te revele a mim,

para que eu te conheça na verdade

e te ame como o desejas e me pedes.

Luz inacessível,

na qual vejo todas as ciências sem erro,

Luz da qual as trevas não podem se aproximar

e que ilumina minha ignorância

Pai Santo,

dá-me este Filho, teu Verbo, que me resgatou...

Dá-me aquele que eu amo,

em quem espero e em quem eu vivo(E, L'an 1737) 

 

Última modificação em Quarta, 16 Novembro 2016 19:20
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